Ler faz bem: leitura na infância

‘Cria-se o gosto pela leitura não mandando ler, mas lendo’  

– Rubem Alves 

A leitura desde a primeira infância

O incentivo à leitura deve, ou pelo menos pode, acontecer desde muito cedo, desde quando os pais esperam o bebê que cresce e se desenvolve no ventre da mãe.

Tempo junto

Isso porque a leitura requer respeito a tempo, rotina, dedicação, curiosidade, envolvimento, amor e paciência. Em princípio o ato de ler deve ser feito de forma espontânea, porque se deseja ler e não porque se deve ler. Então, para os pais que não gostam de ler, mas que estão à espera de um bebê e desejam que ele usufrua do bom hábito da leitura, eu sugiro um pequeno esforço. Valerá a pena!

As exigências feitas pelo ato de ler (tempo, rotina, dedicação, curiosidade, envolvimento, amor e paciência) durante a gravidez, são também o início do exercício do ato diário de educar que todo pai e mãe amoroso deseja ser capaz de conseguir realizar. Educar como todos sabemos não é fácil e não é tarefa da escola apenas.

Educação através da leitura

Mas, porque a leitura? A leitura é um exercício passivo de educação. Quando quem lê é a mãe para o seu bebê no ventre, todo o processo de leitura poderá ser sentido pelo bebê. Toda a rotina da leitura será seguida. Desde o sentar, o respirar, o pausar, até o pensar. Isso porque o corpo reage a esse momento e o bebê vive aquilo juntamente com a mãe.

Se a mãe faz leitura silenciosa esse processo será silencioso para o bebê também e mesmo assim ele sentirá o estado da leitura. Se ela lê para o seu bebê em voz alta, ele sentirá a vibração de sua voz, dos sons das palavras, e acompanhará a leitura. Isso vale também para o pai. Mesmo que ele não o carregue em seu ventre, a voz do pai também emite vibrações que serão sentidas e reconhecidas pelo bebê.

A leitura é um ato lindo de reconhecimento e envolvimento familiar, além de todos os outros atos de amor a que os pais podem se dedicar.

Podemos fazer algo?

Quem vai ler pra mim? é um blog que sugere a leitura para pequenos, mas que em momento algum assume que a leitura seja única forma de se conectar com seus pequenos e ensinar-lhes algo. Certamente há muitas outras coisas que podemos fazer como jogos em família, brincadeiras em áreas livres, tempo junto… A matemática é simples: se podemos fazer algo de bom pelos nossos filhos, que o façamos! Vamos  às dicas.

#Rotina

Depois que o bebê nasce, a manutenção de uma rotina de leitura ajudará a criança a conectar todas aquelas sensações de leitura ao novo mundo que se abre para ela; e ajudará os pais no processo de educação e ensinamento para viver e sobreviver a este  mesmo mundo. Crianças precisam de rotina. Apesar de muitos acharem isso uma bobagem, o fato é que não é. Isso porque o corpo e a mente humana operam a partir de rotinas. É assim desde criança e até envelhecermos.

Estabelecer rotinas desde cedo é o primeiro ato de educação que fazemos com as crianças. É nossa primeira batalha no ato de educar para a vida. Aos poucos elas e seus corpos vão entendendo que existe hora de mamar, de acordar, de dormir, de ir ao banheiro, de brincar, de falar…  No início tudo é caos. Tudo é tudo a toda a hora e os pais seguem a rotina natural do bebê e sofrem todo o cansaço e exaustão até que consigam com que o bebê entenda a dinâmica das rotinas. Então com o tempo existirá hora de dormir, de acordar, de comer, de ir ao banheiro, de tomar banho, de brincar, de silenciar… Feito isso, outras e outras necessidades de rotinas aparecerão.

Os pais que fogem a essa regra de determinar rotina precisarão de muita sorte para não terem problemas mais tarde. Afinal filho é para a vida toda. É preciso disciplina porque o bebê é o grande mestre nisso tudo. Com a chegada de uma criança todos serão envolvidos em novos processos de aprendizado e de rotina. Ser pai e mãe é passar por tudo isso com alegria e amor no coração, mas não necessariamente sem dor.

O ato de ler para a criança ajuda no estabelecimento dessas rotinas. Pelo menos das rotinas mais abstratas como o silenciar, respirar, prestar atenção, questionar, parar por um tempo, pensar, dormir, sonhar… Essas rotinas livrarão crianças e pais da exposição exaustiva à televisão ou internet e permitirão uma interação mais significativa e afetiva uns com os outros.

A hora da leitura é a hora de uns para os outros. Desligue a televisão, o computador, abra o livro e faça disso uma rotina. Com o tempo, a criança perceberá essa rotina e entenderá o que deve vir antes, durante e depois dela.  Entenderá que silêncio não é algo estranho e perigoso.

Muitos pais optam por fazerem atividades pré leituras que seguirão a rotina, como tomar banho, jantar e então ir para a cama e fazer a leitura. Como atividades pós leitura geralmente (se a criança ainda está acordada) vem as perguntas e respostas e finalmente o beijinho de boa noite. O estabelecimento de horas é importante. Isso também deve ser feito rotineiramente. A leitura pode ser estabelecida para todas as noites antes de dormir, ou três vezes por semana, ou apenas uma vez ao mês, mas precisa se transformar em rotina. Lembre-se, crianças precisam de rotina.

Se os pais têm tempo com as crianças durante o dia, outras atividades ligadas à leitura podem ser feitas. A quebra da rotina pode e deve ser feita, evidentemente, mas sempre com um objetivo. Pode se tornar interessante e até atrativo para a criança saber que a rotina foi quebrada para que outra coisa, não rotineira acontecesse, como a visita a um familiar, um passeio, uma festinha, uma brincadeira, um deixa pra lá…

Livros, e-livros, jogos ou aplicativos?

Fica pra um próximo post. Mas, o que você acha?

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